"Na educação de crianças e adolescentes, nem suaves 'palmadinhas',
nem beliscões, nem xingamentos, nem qualquer forma de agressão, tenha
ela a natureza e a intensidade que tiver, pode ser admitida", afirmou a
relatora do projeto, Teresa Surita (PMDB-RR).
De acordo com a vice-presidente da comissão especial, Lilian Sá
(PSD-RJ), ao pressionarem contra o projeto, os evangélicos argumentaram
que o texto, se transformado em lei, poderia "trazer danos à família",
uma vez que pequenos castigos não causariam dor nem teriam consequências
perversas para a vida da criança. "Eles disseram que o projeto iria
mudar a vida dos pais, que a 'palmadinha pedagógica' poderia trazer
danos à família", afirmou.
Conforme o projeto, que deverá voltar a ser debatido nesta quarta,
14, "a criança e o adolescente têm o direito de serem educados e
cuidados sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou
degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer
outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos
responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas
socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar,
educar ou proteger".
"Existe uma razão primeira para proibir e eliminar o uso da força
física como forma de educação de crianças e adolescentes: é o
reconhecimento de seus direitos humanos", disse Surita, em seu
relatório.
Para a presidente da comissão especial, Erika Kokay (PT-DF), o
projeto que deveria ser votado nesta terça tem caráter "pedagógico", e
não punitivo, contra a família. "A percepção (de se o castigo é
violência ou não) não pode ser do adulto porque a criança perde o espaço
da fala. Quem dá uma palmada de quando em quando pode deixar de dar",
afirmou.